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sobre.

 

Conheça o projeto Memória em Trânsito, uma pesquisa-ação que busca documentar, preservar e compartilhar as histórias e modos de vida de comunidades negras, indígenas, periféricas, quilombolas e ribeirinhas.

Acreditamos que a memória é uma ação contínua e, por isso, utilizamos diversas ferramentas, como entrevistas, criações audiovisuais, cartografias, mapeamentos e prototipagens, para ampliar a voz dessas comunidades e elevar seus saberes, tecnologias, tradições e cosmopercepções.

Além disso, o projeto Memória em Trânsito busca promover um diálogo entre essas comunidades e a sociedade em geral, aumentando a conscientização sobre a importância da diversidade cultural e da preservação do patrimônio imaterial. Trata-se de uma iniciativa interdisciplinar, que reúne artistas, criadores, pesquisadores, coletivos e indivíduos atuantes em diversas áreas, visando contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e justa.

Junte-se a nós nessa jornada de descoberta e valorização das memórias em trânsito!

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memórias.

construindo memórias

 

 

A metodologia de pesquisa-ação "Memória em Trânsito" foi criada pela produtora cultural e pesquisadora de práticas não-brancas, Marina Pereira. Desde 2014, a pesquisadora tem se dedicado a uma série de iniciativas que buscam investigar, afirmar e pesquisar grupos e comunidades compostas por populações sub-representadas em nossa sociedade. Como articuladora desse processo, Marina Pereira ampliou e induziu uma série de ações, intervenções e obras artístico-tecnológicas por meio de encontros formativos, curadoria e produção em conjunto com os grupos envolvidos.

Memória em Trânsito propõe uma metodologia aberta e já testada que envolve a inteligência coletiva para o desenvolvimento de soluções e proposições. A finalidade é apontar para o uso de diferentes linguagens para o enfrentamento ao racismo, contribuindo para a construção de uma sociedade mais igualitária, diversa e transformadora.


As produções abaixo fazem parte da edição Memórias, Narrativas e Tecnologias Negras da Baixada Santistas que aconteceu nos anos de 2020 e 2021 em parceria com o Instituto Procomum e Instituto Ibirapitanga. 

em trânsito.

 

A criação do projeto "Memória em Trânsito" é potencializada pela força da energia vital presente na cosmovisão de povos e suas comunidades, que alimentam nosso desejo do bem viver enquanto olhamos para o futuro com a força ancestral que cria, resiste e fortalece os processos de existência de todos os seres. Acreditamos na dimensão do fortalecimento e articulação das relações entre grupos culturais, compreendendo e respeitando os territórios que os conectam. Aos poucos, estamos aprendendo a reconhecer esse organismo vivo e importante zona de convergência entre indígenas, quilombolas e comunidades periféricas.

As produções a seguir fazem parte da edição "Memórias, Narrativas e Tecnologias Negras da Baixada Santista", realizada em parceria com o Instituto Procomum e o Instituto Ibirapitanga nos anos de 2020 e 2021. Além desses resultados, também foi produzido um texto narrativo e histórico, uma série de três episódios do podcast "Memórias apagadas na terra da Liberdade" e um mapeamento.

Com essas ações, buscamos preservar e compartilhar as histórias e saberes de diferentes culturas, honrando a diversidade e a riqueza do nosso povo e fortalecendo os laços que nos unem como humanidade. Afinal, nossas memórias são as raízes que nos sustentam e os frutos que alimentam nosso futuro.

MEMÓRIAS APAGADAS DA TERRA DA LIBERDADE
31:16

Tem um provérbio africano que diz:
“Se você quiser saber o final, você precisa prestar atenção no começo…”
Então me questiono…
Pelo que passou? Onde estás? Pelo que anseia?
Se por diversas vezes a história se repete ou se reconecta de alguma forma
De forma que não nos deixa caminhar a esmo
Como um rio que corre, corre, corre e deságua em si mesmo
A mata atlântica, o porto e o povo
O mesmo que percorre e perdura no tempo
Através das mãos dos operários, das mãos dos padeiros e das Mães de Maio
A mata atlântica, o porto e o povo
O mesmo que percorre e perdura no tempo
Através de seus antepassados, através desse presente momento
ou através do seu bendito fruto.

(Augusto Pakko)

A pesquisa- ação Memória em Trânsito está em movimento em outras investigações por comunidades pelo Brasil, ampliando e potencializando nossas memórias e sempre em tempo circular e contínuo, como a vida é e será! 

“Abrir janelas das paredes do fundo do quarto de despejo, deixar o som entrar, a luz refletida das matas e das águas despertam o corpo apagado pela vida robótica alienada, as entranhas então se alimentam de ar puro, que ativam a vida de encanto. 

O corpo aparelho do espírito agora sai do standby, é calibrado, percebe que seu quarto estava invertido e a cidade é que despeja a alma. 

Ao derrubarmos os muros, percebemos o som dos pássaros e conseguimos enxergar nossos irmãos, famílias encaixotadas na indústria urbana agora podem entrar nessa roda. 

Esse giro não tem volta, agora prefiro sentir o ar puro pendurado no abismo da liberdade que se faz ao lado dos meus irmãos, mulheres, aves e peixes. 

Daqui de cima percebi o mar, o caminho das águas pela serra, consigo ver seres resistentes ainda embrenhados na mata, vivendo seu cosmo, seu mundo ainda não devorado, falando uma língua que nada tem a ver com as caravelas, podendo se comunicar com pássaros.

 Minha terra agora não é mais o quarto de despejo. Hoje sou eu quem dou o limite dessa cidade que se alimenta de pessoas e florestas, defendo o que estava esquecido e que tem o maior valor, posso enviar uma mensagem pelas águas, o rio fará chegar à aldeia, tenho muito a aprender com meus irmãos regidos pelas florestas, através das águas podemos nos unir, pelas águas viemos encaixotados em navios negreiros.”

(Trecho de texto literário construído por Tiago Passo Bechelli - membro construtor dessa pesquisa).

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